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09/02/2018

O Brasil na rota do intercâmbio cooperativo, por Ênio Meinen

Portal do Cooperativismo de Crédito

Todos os anos, e já há algum tempo, dezenas de cooperativistas brasileiros e outros atores envolvidos com o movimento deslocam-se para fora do país em visitas a entidades cooperativas estrangeiras e participações em eventos de capacitação e congressos internacionais do setor, notadamente na Europa e na América do Norte.

É inegável que essas incursões têm permitido a assimilação de um conjunto de boas práticas de gestão, inovação em diferentes campos da atividade cooperativa e inspiração para a edificação, aqui, de um marco regulatório incentivador, especialmente para o cooperativismo financeiro. É dizer que aprendemos com a longa e exitosa tradição dos sistemas coirmãos de outras nações, por influência deles evoluímos e a eles devemos gratidão.

Fruto desse aprendizado e bônus de uma já respeitável experiência doméstica, hoje é possível identificar por aqui inúmeros casos de sucesso protagonizados por instituições financeiras cooperativas ou relacionados ao seu ambiente de atuação, dignos de reconhecimento global e, portanto, credores de prestígio.

Começa que o país ostenta o mais abrangente e sofisticado modelo normativo dedicado ao cooperativismo financeiro em todo o mundo, impulsionado sobretudo pela atuação do Banco Central do Brasil. Além disso, o Governo vê nas cooperativas – e as estimula efetivamente nessa direção – instrumento fundamental para a inclusão e educação financeiras, o desenvolvimento socioeconômico e a ampliação da competitividade no mercado bancário, fortemente concentrado entre nós.

Quando se olha para a essência cooperativista, guiada pelos seus alicerces doutrinários, a fidelidade aos princípios universais tem pouca ou nenhuma equivalência mundo afora. Sobressaímos, com efeito, pelo acesso universal da população às nossas cooperativas, sem qualquer preferência ou discriminação, inclusive de ordem econômica (1º princípio); pelos modelos de gestão participativa, que conduzem ao efetivo envolvimento dos cooperados na vida da cooperativa (2º princípio); pelo partilhamento de parcela significativa do excedente na proporção da fidelidade operacional dos cooperados, promovendo a justa e vantajosa precificação (3º princípio); pela ampla liberdade de autodeterminação administrativa e operacional, amparada em generosa outorga normativa (4º princípio); pelos bem formulados programas de educação e formação cooperativistas, aplicados ao público interno e irradiados em escolas e universidades por todo o país, suportados inclusive por fundos específicos assegurados em lei – Sescoop e Fates (5º princípio); pela exitosa experiência de integração vertical ou intrassistêmica e pelos exemplos pontuais de plena integração operacional entre cooperativas financeiras e entidades coirmãs de outros ramos, reconhecendo-se que a aproximação horizontal, no todo, é ainda incipiente (6º princípio); pela real atuação a bem das comunidades, representada por um sem-número de projetos de alto impacto econômico e social (alguns deles transformacionais) e pelo engajamento pessoal dos dirigentes e colaboradores em uma infinidade de ações comunitárias, afora a contribuição para a inclusão financeira em centenas de localidades desassistidas pelo sistema bancário convencional (7º princípio).

 

Acrescente-se a tudo isso o fato de apresentarmos uma expansão recente, e recorrente, que não encontra qualquer semelhança além de nossas fronteiras; de ostentarmos uma tecnologia que, por sua atualidade e robustez, é referência no mercado financeiro, capaz de suportar inúmeras vezes o volume de negócios atual, e, ainda, de mostrarmos rara resiliência nos diferentes intervalos de adversidade econômica.

Temos, portanto, uma pluralidade de atrativos dentro de nosso próprio território, com a vantagem de os cases já terem sido testados por aqui (mostrarem-se aderentes ao nosso ecossistema), e o intercâmbio requerer investimentos bem menos dispendiosos. Ou seja, já merecemos um olhar para dentro, no mínimo para homenagear a (nossa) “gente que faz”!

Aliás, ainda que tenhamos um deficit comparativo de escala e precisemos, logo mais, recorrer às lições alienígenas de como lidar com taxas de juros verdadeiramente baixas, estamos também preparados para mostrar ao mundo¹ as nossas virtudes, e com isso, se não inverter o fluxo de visitações e imersões, pelo menos equilibrá-lo.

Fica a dica!

Ênio Meinen, diretor de operações do Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob) e coautor/autor, respectivamente, dos livros Cooperativismo financeiro: percurso histórico, perspectivas e desafios e Cooperativismo financeiro: virtudes e oportunidades. Ensaios sobre a perenidade do empreendimento cooperativo.


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